Odette Ferreira homenageada com atribuição de nome a rua de Lisboa
Cerimónia destacou o papel da farmacêutica em prol da Saúde Pública.
Texto de Maria Jorge Costa
A Câmara Municipal de Lisboa prestou homenagem à farmacêutica Odette Ferreira, investigador que integrou a equipa responsável pela identificação do vírus VIH de tipo 2, com a atribuição do seu nome a uma rua na freguesia do Lumiar.
A cerimónia, presidida pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, reuniu figuras da Saúde Pública e do setor farmacêutico, num tributo que cruzou ciência, sociedade e serviço público.
Ricardo Mexia, presidente da Junta de Freguesia do Lumiar e médico de saúde pública, destacou a «coragem social» de Odette Ferreira nos anos 1980, quando a SIDA era simultaneamente emergência médica e barreira social, e chamou à toponímia um «ato de justiça e preservação da memória coletiva da cidade».
Carlos Moedas realçou que a investigadora «não trabalhou para ficar na história, mas para que outros pudessem ter futuro», lembrando o programa “Diz Não a uma Seringa em Segunda Mão” e o papel transformador da rede de farmácias na prevenção.
Ema Paulino, presidente da ANF, evocou a liderança feminina de Odette Ferreira e a sua capacidade de «colocar o pé na porta» com argumentos sólidos, mobilizando farmacêuticos a ultrapassar estigmas para travar cadeias de transmissão, enquanto Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde, afirmou que a DGS quer «continuar o legado» da professora, sublinhando o seu «rasgo de coragem» como inspiração pessoal, profissional e institucional.
O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota Filipe, classificou a homenagem como «uma enorme honra» a uma das maiores figuras da ciência e da profissão farmacêutica em Portugal.
João Pinto Basto, farmacêutico e neto de Odette Ferreira, disse que dar o nome a uma rua «não recorda apenas uma vida, integra a Memória da cidade e projeta-a para o futuro», descrevendo a avó como uma «matriarca extraordinária» que «nunca encarava um obstáculo como o fim do caminho», mas como um convite a procurar alternativas, reunindo pessoas e instituições para resolver problemas — um legado que, segundo ele, «hoje vê-se um bocado».