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Portugueses defendem reforço do papel das farmácias no acesso aos cuidados de saúde

Os portugueses reconhecem a importância das farmácias comunitárias no acompanhamento do doente crónico, valorizam os horários alargados e os serviços prestados pelas farmácias, conclui o STADA Health Report 2026.

Texto de Ana Rita Cunha

​​​​Segundo o STADA Health Report 2026, os portugueses reconhecem a importância das farmácias comunitárias no acompanhamento do doente crónico. O estudo revela ainda que as pessoas valorizam os horários alargados e os serviços prestados pelas farmácias e que querem que os farmacêuticos tenham acesso aos seus dados clínicos para um aconselhamento mais personalizado.

Os resultados, recolhidos através de um inquérito online representativo de 20 países e que contou com a participação de cerca de 20 mil pessoas, foram debatidos a 15 de outubro, numa sessão que juntou profissionais de saúde de várias áreas. A presidente da ANF, Ema Paulino, participou na mesa-redonda “Capacitar o cidadão para a saúde: autocuidado, longevidade e proximidade farmacêutica", ao lado de Jaime Melancia, presidente da Plataforma Saúde em Diálogo; Conceição Calhau, professora catedrática na Nova Medical School e fundadora do Mestrado em Nutrição Humana e Metabolismo; e António Hipólito de Aguiar, médico.

«As pessoas olham para as farmácias como uma primeira linha de acesso aos cuidados de saúde e querem mais da sua farmácia», afirmou Ema Paulino, sublinhando o papel cada vez mais ativo da rede de farmácias na jornada de saúde das pessoas, fruto da sua proximidade e da relação de confiança com a população.

O apoio à automedicação é uma das áreas em que as farmácias comunitárias podem assumir um papel relevante. Segundo com o estudo, 93% dos inquiridos recorrem à automedicação, sobretudo para lidar com sintomas de constipação ou gripe, problemas gastrointestinais, alergias, problemas de pele, dificuldades de sono, ansiedade e stress.

Perante esta realidade, Ema Paulino destacou a importância da promoção da literacia em saúde e o contributo das farmácias para «empoderar as pessoas e ajudá-las a tomar decisões informadas e seguras». A presidente da ANF defendeu ainda o reforço da intervenção das farmácias em situações clínicas ligeiras, como a infeção aguda da orofaringe e a infeção do trato urinário, através da realização de testes rápidos, mediante protocolos clínicos claramente definidos que permitam a referenciação para outros níveis de cuidados sempre que necessário.

Acesso aos cuidados continua a ser um desafio

O STADA Health Report 2026 revela ainda uma ligeira diminuição da satisfação dos portugueses com o sistema de saúde face ao ano anterior. A falta de profissionais de saúde e os longos tempos de espera nos cuidados de saúde estão entre os principais desafios identificados pela população.

Na comparação europeia, Portugal apresenta níveis de satisfação inferiores aos de dez países, entre os quais Bélgica, França, Espanha e Reino Unido. Os resultados evidenciam ainda diferenças dentro do país, com Lisboa a registar níveis de satisfação mais baixos, e entre faixas etárias, sendo os mais jovens os menos satisfeitos.

Os resultados traçam, assim, o retrato de uma população que pretende participar mais ativamente na gestão da sua saúde, mas que continua a enfrentar limitações no acesso aos cuidados, à informação e aos recursos necessários para tomar decisões de forma segura. Neste contexto, o reforço do papel das farmácias comunitárias poderá contribuir para aproximar os cuidados de saúde das pessoas e responder às necessidades ao longo da sua jornada de saúde.

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