Projeto colaborativo visa integrar cuidados farmacêuticos no sistema de saúde do Alto Alentejo
A iniciativa demonstra como a colaboração entre profissionais, instituições e setores distintos pode contribuir para valorizar as competências clínicas dos farmacêuticos comunitários e reforçar o seu papel na integração dos cuidados de saúde de proximidade.
Texto de Ana Rita Cunha
A ANF participa o projeto “Integrar Farmácias Alto Alentejo”, uma iniciativa promovida pela Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, que pretende reforçar a integração dos cuidados farmacêuticos no sistema de saúde regional e desenvolver respostas mais próximas, coordenadas e centradas nas pessoas.
Desenvolvido em parceria com a Secção Regional do Sul e Regiões Autónomas da Ordem dos Farmacêuticos e com o apoio científico da Universidade de Évora, o projeto envolve dez farmácias comunitárias do distrito de Portalegre, bem como profissionais de saúde de diferentes áreas, num esforço conjunto de colaboração interprofissional. Neste contexto, a ANF, enquanto parceira da iniciativa, tem estado ativamente envolvida nos trabalhos, procurando aprofundar a integração das farmácias nos percursos assistenciais dos seus utentes, promovendo serviços sustentáveis e capazes de contribuir para a geração de resultados em saúde.
Ao longo do último ano, os parceiros envolvidos organizaram-se em quatro grupos de trabalho, numa lógica multidisciplinar e colaborativa, com vista a identificar os principais desafios do território e, consequentemente, a desenhar as soluções a implementar, fase que terá início em breve. Neste âmbito, foram aprovadas iniciativas prioritárias, uma por cada grupo de trabalho: acesso e partilha de dados em saúde, desafios geográficos do Alto Alentejo no acesso à saúde e na fixação de profissionais, serviços farmacêuticos clínicos e acompanhamento de doentes na comunidade, e sustentabilidade ambiental e medicamentos.
A primeira iniciativa prioritária tem como objetivo estimular a comunicação estruturada entre as farmácias e as equipas de saúde, através de um modelo-piloto centrado na utilização de notas terapêuticas e na gestão de situações clínicas ligeiras, enquanto a segunda procura definir medidas de incentivo à atração e retenção de talento na região.
Já o terceiro eixo, relativo aos serviços farmacêuticos clínicos e acompanhamento de doentes na comunidade, visa a elaboração de protocolos clínicos, com critérios bem definidos e aprovados entre as farmácias e o corpo clínico da ULS Alto Alentejo, para duas situações clínicas ligeiras prioritárias: infeção aguda da orofaringe e a infeção não complicada do trato urinário na mulher adulta. Por fim, a quarta iniciativa assenta numa estratégia integrada para a recolha de medicamentos fora de validade.
O projeto constitui um exemplo claro de como a colaboração entre profissionais, instituições e setores distintos pode contribuir para valorizar as competências clínicas dos farmacêuticos comunitários e reforçar o seu papel na integração dos cuidados de saúde de proximidade.