Tecnologia, proximidade e integração: desafios para o futuro da saúde
A proximidade dos cuidados, a integração dos dados e a transformação tecnológica estiveram em destaque no Cascais International Health Forum 2026, que contou com a participação de dirigentes da ANF em dois painéis de discussão.
Texto de Carina Machado
Ema Paulino, presidente da ANF, e Nuno Cardoso, diretor-geral da associação, defenderam no Cascais International Health Forum 2026 uma maior integração dos cuidados de saúde, suportada pela proximidade das farmácias, pela interoperabilidade dos dados e pela utilização da tecnologia como instrumento de apoio aos profissionais e às pessoas.
Na sessão “Farmácias e Cuidados de Proximidade na Sociedade Envelhecida”, moderada por Ema Paulino, os intervenientes defenderam que a extensa rede de farmácias deve assumir um papel cada vez mais integrado na prestação de cuidados, sobretudo numa sociedade envelhecida.
O debate destacou a importância de reforçar a articulação entre farmácias, unidades locais de saúde e autarquias, bem como de garantir o acesso e a interoperabilidade dos dados de saúde para suportar respostas mais coordenadas. Ao longo da discussão, a responsável sublinhou a necessidade de avançar com soluções concretas, lembrando que «mais vale feito do que perfeito», e defendeu que Portugal dispõe já de ativos digitais relevantes que devem ser colocados ao serviço dos profissionais, das instituições e dos cidadãos.
A integração da informação em saúde surgiu igualmente como um dos temas centrais da sessão sobre o futuro dos profissionais de saúde na era da tecnologia, moderada por Nuno Cardoso.
Os participantes defenderam que a inteligência artificial e as ferramentas digitais devem reforçar a capacidade dos profissionais, libertando-os de tarefas administrativas e apoiando a tomada de decisão, sem comprometer competências como a empatia, a comunicação e o julgamento clínico. Numa ideia simples: «delegar sim, substituir não».
Durante o debate, o diretor-geral da ANF destacou o potencial da tecnologia para aproximar hospitais, cuidados de saúde primários e farmácias, colocando a pessoa no centro dos cuidados. A necessidade de interoperabilidade, segurança dos dados e adaptação dos processos de trabalho foi apontada como condição essencial para concretizar essa transformação.
Apesar de abordarem realidades distintas, os dois debates convergiram numa mesma conclusão: o futuro da saúde passa pela capacidade de ligar pessoas, profissionais, tecnologia e estruturas já existentes, garantindo respostas mais integradas, acessíveis e eficazes para a população.