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«Tornámo-nos visíveis, agora temos de ser sustentáveis»

“Proximidade com Valor: um Futuro para as Farmácias” esteve em discussão na manhã do último dia do 15.º Congresso das Farmácias, com a participação de Janet Morrison, CEO do Community Pharmacy England.

Texto de Carina Machado

Durante anos, a farmácia comunitária esteve praticamente ausente dos grandes planos para a saúde em Inglaterra. Hoje, segundo a diretora executiva da Community Pharmacy England, o cenário é diferente, e o setor surge destacado como parte da solução para responder aos desafios que o Serviço Nacional de Saúde (NHS) inglês enfrenta. O desafio, agora, é assegurar a sustentabilidade.

Janet Morrison recordou que o novo Governo trabalhista assumiu a Saúde como uma prioridade, tendo apresentado, no ano passado, um plano a 10 anos para reformar o NHS, descrito como um sistema «quebrado». Segundo a responsável, a grande novidade é que, ao contrário do que acontecia no passado, as farmácias comunitárias surgem agora «claramente identificadas como parceiras dessa transformação».

Esta não foi, contudo, uma mudança repentina. A CPE passou vários anos a defender uma visão mais clínica para a farmácia comunitária. Foram encomendados estudos independentes para demonstrar o seu valor económico e social, bem como o retorno do investimento nos serviços prestados; foram apresentadas propostas concretas para alargar a intervenção das farmácias, incluindo o modelo Pharmacy First.

A pandemia evidenciou a capacidade de resposta do setor e as farmácias ganharam expressão política quando o Governo teve de encontrar soluções para gerir as enormes dificuldades de acesso aos cuidados de saúde primários, traduzidas num agravamento assinalável dos tempos de espera.

O plano governamental para a Saúde assenta em três grandes mudanças a implementar ao longo de dez anos: transferir os cuidados dos hospitais para a comunidade, acelerar a transição do analógico para o digital e passar de um modelo centrado na doença para um modelo focado na prevenção. Em todas as farmácias podem desempenhar um papel determinante, tendo a proximidade às comunidades como um dos principais argumentos, e o decisor político reconhece esse potencial, seja na gestão de doenças crónicas, na prevenção, na revisão da medicação, na desprescrição, e na prescrição independente.

Este é um dos sinais mais relevantes da evolução de como as farmácias ganharam espaço na estratégia do Governo e viram o seu papel clínico reforçado. A partir deste ano, todos os licenciados em Ciências Farmacêuticas sairão das universidades habilitados a prescrever num conjunto alargado de situações clínicas ligeiras, reforçando a capacidade das farmácias para responder às necessidades das pessoas e aliviar a pressão sobre outros níveis de cuidados.

Para Janet Morrison, o desafio passa agora por transformar esta visão em realidade plena. Falta garantir que o financiamento acompanha essa ambição e permite consolidar uma rede que considera essencial para o futuro do sistema de saúde inglês. A estratégia da CPE neste ponto tem sido a de demonstrar ao Governo o potencial da farmácia comunitária. «Temos um menu de serviços, que corresponde ao que poderiam ter, mas apenas se conseguirmos manter as luzes acesas e se formos sustentáveis».

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